segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Estudo do delírio

Batidas sônicas desprendem minha percepção
Transportam-me para outra dimensão,
Infinitos dissipados por entre nuvens,
Galáxias e constelações díspares
Supernovas elementares em ares vazios
Cores intensas, vivas e radiantes,
Visão bifurcada, ouvido aguçado,
O corpo jaz como se empenado,
Debruçado por sobre tapetes
No delta de Venus de sua amante,
Curvas sutis desenham seu belo corpo,
O cheiro de flores me invade as narinas,
O doce deleito do mais desconexo ego,
Ser e o resto fundem se como por encanto,
Quem sabe até por engano,
As histórias de contos de fadas ressurgem,
Fabulas e suas morais fluem de suas entranhas,
Cantigas de ninar há muito esquecidas soam em coro,
A rotação é suicida, nada faz sentido,
Porém entendido é, que a vida é isso,
Voltas sem sentido contra os ponteiros do tempo,
Ah! Doce deleito que me faz delirar,
Suave toque da pele sob meu rosto,
Meu transe é mais que hipnótico,
É obvio que desse planeta não vou voltar,
Morangos materializam-se ao meu redor,
Perversidades romancistas a me guiar,
Dia de amanhã não há de chegar,
Tão bela noite essa que me lava com seu luar,
A brisa faz meio que ao acaso teus negros cabelos dançarem,
E é claro que não estou só em devaneio,
Pois em teu acalanto repousarei,
Jovem amante, que leva até o ar das montanhas,
E com tua ingenuidade me guia na floresta escura,
Me mostra teus perigos e maravilhas,
Num mundo que não seguiu adiante,
Nada de vexame, pois vou me deitar,
A rede me faz viajar, para outro mundo,
Que te narrarei, em outro devaneio,
Delírio solitário que há de chegar.

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