quinta-feira, 28 de abril de 2011

Incerto

Enquanto esses sentimentos incertos nos guiam num mar de duvidas,
essa vontade de viver explode, nos faz delirar com seu estrondo,
dias onde nada mais importa, deixamos de lado tudo aquilo que nos espera,
nessas linhas etílicas me sinto um tanto quanto solitário,
mas quando vago por entre becos e essa linha de pensamento,
solitária, sagaz e imponente apaga aquilo que me dizem,
essas contestações alheias soam tão vagas,
a visão de mundo propagada na geração dois mil,
que cega os fracos, mas torna os fortes ainda mais fortes,
faz que aqueles que partilham dos meus votos,
esses que compartilham a fé sincera,
essa fé cega que nos guiou até então,
que nos fez acatar a esse mundo de devassidão,
enquanto pensamentos que a sabedoria flui de papeis falsos,
jorra desses títulos que nada significam,
que fazem essas tsunamis nos açoitar,
usinas regarem com cólera nossas lavouras,
nossos sustento está impregnado dessa maldita tecnologia,
quão amaldiçoados fomos ao acatar o progresso,
esse progresso que só engana, esse que quer só para si,
nesse engano afundamos, e naufragados nessa miséria,
nós solitários sonhadores vagamos em busca da verdade,
essa verdade sóbria que para os sóbrios se esconde,
essa perversidade que ao prazer nos guia pelos ensinos de Sade,
a vontade é a única razão, é a força cega,
que por entre antros de devassidão nos leva,
faz nossos sentimentos emergirem,
cria em nossas mente paraísos artificiais,
que nada fazem além de nos guiar as vontades mais intimas,
a fome onívora que sentimos por esses prazeres mundanos,
corruptos enfim somos, eu sei, somos como porcos,
nos aproveitamos de qualquer gota de felicidade que nos presenteie,
essa vida sem graça, muito mais sem ação que qualquer substancia,
substancias essas que fluem da mídia e nos afogam nesse mar de insegurança,
nada temos a ver com guerras, nada temos a ver com políticas exteriores,
se quer nos importamos com o que o alheio bombardeia,
nunca seremos apenas pedras no caminho,
tendemos a bloqueá-lo, e quem sabe por acaso dessa forma guiá-los,
nessa sede que temos de sentir a vida como jamais nos permitiram,
abrir as portas da percepção e mergulhar em universos paralelos,
e tal como Huxley em meio a duvida encontrar as respostas,
que nos elevaram aquilo que jamais sentimos,
a plena constatação de que de nada vale esse passo contra o tempo,
de que tudo na vida tem a hora e a razão,
que mesmo envoltos em nuvens de fumaça e apedrejados pelo preconceitos,
rótulos colados em nossas frontes não possuem significados,
temos certeza daquilo esperamos, a fuga da desilusão é não se iludir,
jamais esperamos baseados em conceitos alheios,
apenas temos um fim em mente, e isso é tudo que basta, não nada mais,
o motivo para se iludir e fantasias como nossos anseios se realizaram,
nessas falsas ilusões fenecemos, adormecemos nessa vibe que essa suposta,
errônea, incerta, inerte verdade, questionável e abordável,
o desejo que temos de prever como nossos anseios surgiram,
enclausura nossos egos nesse mar de angustia,
a ausência da satisfação nos afeta,
mas por que diabos deverias almejar o deleito nesses conceitos vagos,
esses dogmas alheios que são a prisão onde jaz enclausurado nossos mais puros sentimentos,
quando prazeres nos içam do incerto, quando compreendemos que nada devemos esperamos,

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O Eremita do Concreto

Vaga só e sem esperança, com passos trôpegos, jamais se deleitou no terno aconchego do lar materno, filho do mundo. Esbanja liberdade que de nada vale em sua lastimável situação, nem sequer lembra-se da última vez que sonhou. Em noites frias debruçado sobre uma soleira mais fria ainda, encolhido, acompanha com os olhos o compasso de passos alegres, a felicidade alheia soa tão vazia para quem nunca teve a chance de experimentá-la. Roupas caras e festas elegantes soam como contos de fadas para aqueles que nascem fadados a permanecer submersos na tristeza e assim então fenecer na miséria.