quinta-feira, 10 de março de 2011

O Passado

O quebrar das ondas me remete sonhos passados,
Os dias se arrastam nessa selva,
Em todos os cantos fito de soslaio devaneios alheios,
Chego a rir em voz alta de tamanhas discrepâncias,
O desalento desses tempos que nos trazem a angustia,
Sentimos-nos desvairados por não temos vivido o que foi mitificado,
No entanto, talvez vivamos a vida dos boun vivants,
Talvez o álcool nos revele o caminho, talvez o caminho seja o sistema,
Mas e se ambos estiverem errados, então não saberemos mais o que seguir,
Nesse passo descompasso com nossa geração nos sentimos solitários,
Esses dias de engano nos levam a soluções suicidas,
Muito embora o suicídio passe longe da solução,
Nessa terra sem crenças, nessa vida sem anseios,
Esses dias solitários que nos carregam por noites sem fim,
E sob a doce penumbra buscamos o caminho do acaso,
O acaso nos guia por entre ruas e becos,
Talvez o acaso nem sequer exista, talvez a predestinação seja real,
Nas noites frias em que sentado sob a areia,
Enquanto o vento move suavemente nossos cabelos longos,
Esses cabelos longos, esses estereótipos que de nada mais servem
A não ser nos rotular, e esses rotulos que nos amaldiçoam,
Malditos sejam por não seguir aquilo que nos disseram,
Porém talvez seja esse desencanto da vida cotidiana,
Essa perdição constante que nos leve a aprender,
Arrisco até a dizer compreender o que nós realmente somos,
Nada mais do aquilo que sempre fomos,
Um vírus num paciente em estado terminal, esse paciente
Se recusa a se entregar mesmo sabendo que a morte cega
Está na beira do seu leito a lhe apontar,
A única virtude derradeira é a paciência,
O angustiante prazer de esperar, almejar, a hora da partida,
Desse lugar que jamais entederemos. Não há nada para entender.

Um comentário:

  1. Parafraseando o Oswaldo: Tem alguma coisa que tu tenhas escrito que seja feliz???
    Brincadeiras a parte, eu já tinha lido um texto teu e é super bem escrito com boas influências numa atmosfera desesperadora e caótica,normal pra quem te conhece. Tu afronta o leitor descaradamente, provocando sensações e alterando seu estado da paralisia à lisergia.

    Fim Taura teu Blog my brother!

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