sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Amantes

E se não houver ninguém para preencher minha alma,
No eterno desalento fenecerei,
Enclausurado nesse ébrio paraíso
Proveniente do deleito dos fracos e incapazes,
Que se afogam num mar vermelho para livrar-se da tristeza,
Essa que me toma como a hera, que sacia sua sede com minha dignidade.
As buscas infrutíferas de caricias que me recordem as tuas,
De lábios que dancem com os meus como os seus dançaram.
Ver o sol se pondo desfrutando o entardecer com mãos entrelaçadas,
Sorrisos singelos e nosso riso ingênuo,
E sob o luar deitado sob a relva ao teu lado adormecer,
A beira daquele mesmo lago em que nos conhecemos,
O mesmo em que a felicidade cobriu-nos com seu tênue véu,
E nos fez crer mesmo que só por um instante
A vida não era miserável e sim doce,
As estrelas a brilhar enquanto o luar nossas almas lavava,
Dois amantes abraçados, perdidos em devaneios,
Duas partes da mesma peça unidas pelo acaso.

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