domingo, 19 de dezembro de 2010

Cegueira

Todos esses estímulos me nublam a percepção,
A confusão é inerente, palpável, posso ver,
Sinto ela escorrendo pelo corpo quente,
Aromas esquecidos desenterram lembranças ignóbeis,
Dias passados em meio a paraísos ébrios,
Porém que aos olhos céticos nada mais eram
Que os últimos suspiros de um decadente poeta,
Um poeta preso nas estranhas da selva de concreto,
Entre seres frágeis que se escondiam da vida,
Acreditando piamente que tal fuga não era fuga,
Não indigna nem tampouco desonrosa,
Essa fuga era a vida, mas a liberdade,
A mais suja das falácias,
Jamais em minha vida tive noticias,
De alguém que em sua essência fosse livre,
Fizesse tudo sem se prender a nada,
Fosse como o vento sempre inquieto,
Sempre procurando a direção,
Ora direção do mar, ora direção da terra,
Nada disso é balela, sei que como numa novela,
O drama é fundamentalmente importante,
Para ater assim por acaso o cognitivo,
De um pobre coitado que cego jaz,
Em estado de inércia, para que pensar,
Se pode aceitar, não acha errado a democracia,
É tudo uma questão de aceitar a superioridade alheia,
Sem ao menos uma previa informação, nem distorção,
Nada, absoluto nada a reinar e guiar,
Para a beira do abismo, o caminho até o topo é longo
Estamos enterrados com toda a America latina,
E com o próprio Borges, que decretou a morte,
Da inexistente America latina.

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