domingo, 19 de dezembro de 2010

Razão

Era como se a pupila tivesse escorrido pela Iris,
Tingindo assim de uma negritude incomensurável os olhos,
Olhos negros tomados pela curiosidade sagaz,
De um caminhante solitário que pelas tardes quentes,
Espanta seus demônios observando as peculiaridades da mortalidade,
Quão vermelho o sangue flui na intensidade de uma pequena nascente,
É rápido e se espalha transformando esse quadro em uma espécie de carnificina,
Revisitando todas as barbarias cometidas pela humanidade,
Movido pelo único desejo de ver o sangue jorrar,
A cabeça rolar e num último segundo o restante fitar,
E as gargalhadas que inundam esse antro de devassidão,
Torna-se afável até quem sabe amável nas entranhas da podridão,
Da vida que se perde como se indigna fosse,
Da morte que separa os fracos dos fortes,
A lei natural que regi o mundo,
A loucura é a única razão.

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