Maquinas pulsam seu vapor nojento,
Fumaça tapa meus olhos e mancha meu rosto,
Esse som não me deixa só,
O piso molhado coberto de musgo,
O cheiro de podridão que invade minhas narinas,
A ânsia faz as tripas chegarem a minha boca,
Vomito sangue, vomito tripas, vomito minha alma,
Perco meu corpo, minha cabeça encontra o chão,
O sangue flui como de uma nascente,
Da fenda que se abriu em minha fronte,
As rachaduras revelam meus miolos,
Mistura estranha essa do branco com o vermelho,
O vento leva meu convite aos abutres,
Que aos poucos se aproximam para me devorar,
Estou apodrecendo, seus bicos rasgam a pele do meu crânio,
De meu olho furado escorre um liquido preto como o próprio breu,
Viscoso que mancha o bico de um abutre,
Respingando por entre meu ventre aberto,
Parcialmente devorada, em que as tripas já se espalharam,
Partes do meu corpo cobrem o chão,
Um cachorro sacia sua sede com meu sangue,
Um gato brinca inocentemente e mordisca um pouco
O que um dia foi minha orelha, brincando como um novelo,
Esse gato preto, coberto de sangue se lambuza com isso tudo,
A chuva leva o que sobrou de mim à terra,
Que me traga com sua fome onívora,
E meus ossos são carregados por lobos,
De mim nada resta a não ser uma solitária memória,
Que de supetão invade tua mente, e te leva à culpa eterna,
De tu que fizeste isso, me transformou em nada,
Mas minha lembrança é eterna e ao inferno te levarei então,
As chamas te tragaram e tua carne será devorada,
Do mesmo jeito que a minha foi, quando me furaste com um punhal,
O mesmo que te dei, o mesmo que me levou a encontrá-lo.
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